sexta-feira, 29 de julho de 2011

Multiterritorialidade do mundo



                        UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E TECNOLOGIAS /DCHT CAMPUS XVI - IRECÊ – BA PROESP – CURSO DE GEOGRAFIA
                                 COMPONENTE CURRICULAR- GEOGRAFIA POLÍTICA
                       PROFESSOR: ANTÔNIO MUNIZ FILHO                                                                  
                                                               
Multiterritorialidade do mundo


                                                      COMPONENTES:                                  

Clodoaldo Batista de Oliveira
Gildecio Pereira Matos
José Roberto Batista de Castro
Ruminig Pontes Machado
Suitelma Batista de Souza
                               









IRECÊ
2010





Multiterritorialidade do mundo



                                                






Trabalho apresentado ao professor Antônio Muniz Filho do componente curricular Geografia Política, Módulo XI do Curso de Licenciatura em Geografia Campus XVI como requisito de avaliação.

                                                                                                                             

    




                                     
IRECÊ
2010











Multiterritorialidade do mundo


Vivemos em um mundo marcado por grandes conflitos, disputas políticas e econômicas que afetam a vida sócio-econômico direto ou indiretamente de pessoas em todas as partes do mundo.
O capitalismo globalizado reproduz profundas desigualdades sociais, favorecendo o surgimento de aglomerados humanos de exclusão e beneficiando as classes dominantes do capital. O mesmo serve de base para o surgimento das multiterritorialidades.

A multiterritorialidade inclui três tipos de espaços: território-zona, território-rede e aglomerado de exclusão, onde os territórios-zona são mais tradicionais, prevalecentes na lógica política, especialmente no principio territorial que rege os Estados-nações; os território-rede, dominantes da lógica econômica das grandes corporações globais e aglomerados humanos de exclusão que relega muitas áreas do planeta a uma espécie de desordem sócio-espacial.
                                           
 Se antes a região poderia ser vista de forma contínua, como unidade espacial não fragmentada, hoje o caráter altamente seletivo e muitas vezes “pontual” da globalização faz com que tenhamos um mosaico tão fragmentado de unidades espaciais que ou a região muda de escala (focalizada muito mais sobre o nível local, onde ainda parece dotada de continuidade) ou se dissolve entre áreas descontínuas e redes globalmente articuladas. Nesse caso, uma proposta interessante seria realizar uma “regionalização global em rede”, onde poderíamos distinguir territórios-rede de múltiplos agentes, como os que envolvem as grandes diásporas de imigrantes, os circuitos do narcotráfico, do contrabando, do sistema financeiro, do turismo internacional etc. Eles funcionam integrados ao sistema-mundo, mas têm importantes especificidades que permitem uma leitura geográfica particular de suas ações. (Haesbaert, 1999, p 31).
                                       
Esta citação evidencia os fatos apresentados no filme “Onze de setembro”,quando de forma instantânea os noticiários do acontecimento sobre o ataque terrorista aos Estados Unidos (World Trade Center e o Pentágono) espalharam-se por quase todo o mundo (territórios-rede), a qual os terroristas da Al Qaeda tiram proveito do sistema global de comunicação para arrecadar fundos, que serão utilizados para a realização dos seus ideais contra o ocidente (Estados Unidos) infiltrando agentes de sua organização em pontos estratégicos de alguns Estados-Nações, ao mesmo tempo em que busca adeptos entre os aglomerados de excluídos em áreas desoladas como no interior do Afeganistão.

A multiterritorialidade no mundo contemporâneo sofre um processo de complexificação nunca visto em termos de dinâmica territorial, pois ela se realizaria tanto na sua forma “passiva” usando os meios de comunicação para se comunicar com as diversas partes do mundo, e quanto na sua forma ‘ativa” utilizaria dos meios de transportes mais rápidos para quem tem esse acesso, pois os mesmos estão diretamente ligados as classes sociais.

(...) a multiterritorialidade contemporânea, tão enaltecida por alguns, deve ser interpretada em sua dupla face: a territorialização pode ser libertária, sugerindo opções e contrastes, permitindo a livre manifestação de identidades e ao mesmo tempo opressora, quando se fecha, voltando-se apenas para os seus “iguais” e ignorando o diálogo e o confronto renovadores. Trata-se ai de uma fragmentação pela supervalorização do território. Por outro lado, a fragmentação pela valorização das redes e da globalização, a todo o momento, impedindo-nos a rápidas mudanças de escalas (e, conseqüentemente, de parâmetros identitários) também pode ao mesmo tempo gerar insegurança e o medo, fragilizando-nos, ou o desafio e o conflito,no sentido de permitir múltiplos pertencimentos, a vivencia concomitante de múltiplas identidades.(Haesbaert,1997:271) 



Embora território-zona e território-rede geralmente sua representação espacial é mais nítida que os aglomerados de exclusão. Variando a escala, por exemplo, podemos visualizar ora os territórios-zona, ora os territórios-rede os primeiros constituindo pontos de articulação ou de conexão para os segundos. Os aglomerados de exclusão se manifestam tanto de forma muito fragmentada, nos interstícios da sociedade, quanto de forma contínua, como foi relatada no filme, quando em Burkina Fasso, na África, uma criança deixou de ir à escola para trabalhar em função da doença de sua mãe, pois precisava comprar remédios.  Como também no relato em que existem três milhões de refugiados no Irã.

Reconhecer múltiplos territórios significa admitir a existência de distintas formas de conceber e de vivenciar a territorialidade, que depende muito da condição cultural e de classe de cada grupo social, lembrando que a multiterritorialidade não é em si positiva ou negativa.

Na história mundial ocorreram muitos “11 de setembro” fatídicos, porém pouco lembrados como o ocorrido nos Estados Unidos, onde alguns tiveram a participação direta ou indireta desta potência como foi citado no filme acima, como o golpe no Chile, a invasão do Iraque, etc.

Lutar por uma sociedade mais solidaria e muito mais igualitária significa, portanto, lutar também pelo acesso a esta multiterritorialidade planetária, onde cada um possa acionar um território-rede que vai do local ao global. A esperança é que a “descoberta” desta espécie de recurso pautado na multiterritorialidade pode estar não só a serviço dos arautos do terror, como os membros da Al Qaeda, mas também a serviço de novas iniciativas democráticas.

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